Preços do petróleo caem para o menor nível em mais de 4 anos devido a preocupações com tarifas; OPEP+ em apuros?

Preços do petróleo caem para o menor nível em mais de 4 anos devido a preocupações com tarifas; OPEP+ em apuros?
Sayantan Sarkar
04 de abr. de 2025, 10:08 AM
  • Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos em mais de quatro anos devido às tarifas retaliatórias da China contra os EUA.
  • O petróleo Brent caiu 7,3%, para US$ 65,05 por barril, e o petróleo WTI recuou 8%, para US$ 61,68 por barril.
  • Preocupações com a queda da demanda por petróleo devido à escalada da guerra comercial e à potencial recessão global pesam sobre o mercado.

Os preços do petróleo caíram para os níveis mais baixos em mais de quatro anos na sexta-feira, depois que a China impôs tarifas retaliatórias em resposta às medidas comerciais dos EUA no início da semana.

Em uma escalada significativa da guerra comercial em curso, a China anunciou sua decisão de impor tarifas adicionais de 34% sobre todos os bens importados dos EUA.

Essa medida, que entrará em vigor a partir de 10 de abril, é uma resposta direta à recente decisão da administração Donald Trump de elevar as barreiras tarifárias aos seus níveis mais altos em mais de um século.

A comunidade global tem se preparado para uma guerra comercial, com nações ao redor do mundo preparando medidas retaliatórias contra as políticas protecionistas dos EUA.

Tarifas de Trump causam ondas de choque

A imposição dessas tarifas causou ondas de choque nos mercados financeiros globais, levando a uma queda significativa na confiança dos investidores e a uma forte queda nos preços das ações.

A guerra comercial, iniciada pelos EUA, interrompeu as cadeias de suprimentos globais e criou incerteza no ambiente de comércio internacional.

As tensões crescentes entre as duas maiores economias do mundo levantaram preocupações sobre uma possível recessão global e levaram a apelos por uma desescalada do conflito comercial.

No momento da redação, os futuros do petróleo Brent na Intercontinental Exchange estavam em US$ 65,05 por barril, uma queda de 7,3%.

O petróleo bruto West Texas Intermediate na Bolsa Mercantil de Nova York caiu 8%, para US$ 61,68 o barril.

Ambos os índices caíram para o nível mais baixo desde meados da pandemia de COVID-19, em abril de 2021.

Além disso, os contratos estavam a caminho de registrar suas piores perdas percentuais em mais de dois anos.

Maior enfraquecimento da demanda por petróleo

“Há preocupações de que as tarifas levem a um enfraquecimento ainda maior da demanda por petróleo, especialmente porque a China está sendo particularmente atingida pelas tarifas recíprocas”, disse Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank AG, em um relatório.

Fritsch acrescentou:

A guerra comercial global é praticamente inevitável devido à resposta agressiva da China às tarifas americanas.

Este conflito irá sufocar o crescimento econômico e reduzir a demanda por commodities essenciais, incluindo petróleo bruto e produtos refinados.

Em última análise, não haverá vencedores nesta guerra comercial, de acordo com o chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, Ole Hansen.

É importante observar que as refinarias americanas não estão sujeitas a tarifas sobre o petróleo bruto importado do Canadá e do México, pois as importações de energia são isentas de tarifas.

“A demanda por petróleo canadense pode, no entanto, cair no curto prazo, já que as refinarias americanas aparentemente anteciparam as compras em antecipação às tarifas”, disse Fritsch, do Commerzbank.

As importações de petróleo bruto dos EUA do Canadá aumentaram 11% na última semana de relatório, atingindo seu ponto mais alto desde o início de janeiro, conforme relatado pela Administração de Informação de Energia dos EUA.

OPEP+ em situação difícil

A queda do petróleo foi ainda mais intensificada pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados de aumentar drasticamente a produção em maio.

Oito membros da aliança OPEP+ decidiram, em reunião ministerial na quinta-feira, aumentar a produção de petróleo em 411.000 barris por dia em maio, segundo comunicado oficial.

Os oito membros, incluindo Arábia Saudita e Rússia, têm previsto reduzir parte de seu corte voluntário de produção de 2,2 milhões de barris por dia em abril.

Este mês, o cartel aumentará a produção de petróleo em 135.000 barris por dia, após meses de prorrogação dos cortes voluntários de produção.

A decisão da OPEP+ parece inesperada, considerando a queda significativa nos preços do petróleo na quinta-feira.

No comunicado de imprensa, a OPEP+ justifica a medida destacando a perspectiva positiva sustentada do mercado e os fundamentos saudáveis prevalecentes.

“É possível que a decisão tenha sido tomada antes de o presidente dos EUA, Trump, fazer os preços do petróleo despencarem com seus anúncios de tarifas”, disse Fritsch.

Em muitos aspectos, a decisão da OPEP+ de quinta-feira parece agora precisar ser revista. O cartel não ficará confortável com os preços do petróleo rondando os US$ 60 por barril.

Será interessante ver qual será o próximo passo da OPEP, considerando que na quinta-feira afirmou que o aumento da oferta poderia ser “pausado ou revertido, sujeito às condições de mercado em evolução”.