Dívida brasileira sobe para 76,1% do PIB em maio com aumento de juros

Dívida brasileira sobe para 76,1% do PIB em maio com aumento de juros
Noris Soto
30 de jun. de 2025, 11:07 AM
  • A dívida pública do Brasil subiu para 76,1% do PIB em maio, principalmente devido ao aumento do pagamento de juros.
  • O déficit primário foi de 33,74 bilhões de reais, menor do que as expectativas do mercado.
  • Um superávit primário de 0,2% foi compensado pelos custos de juros, elevando o déficit para 7,58% do PIB.

Os números do Banco Central divulgados na segunda-feira mostram um ligeiro aumento da dívida bruta do setor público para 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, contra 76,0% em abril.

O aumento modesto destaca a pressão contínua sobre as finanças públicas em um cenário de taxas de juros elevadas e um aumento do endividamento.

Durante o mês, a composição da dívida deveu-se principalmente ao pagamento de juros, disse o banco central, mesmo com o governo registrando um saldo fiscal primário "melhor" do que as previsões do mercado.

O aumento dos custos de juros impulsiona o crescimento da dívida

A maior economia da América Latina pagou 92,145 bilhões de reais (US $ 16,82 bilhões) em juros nominais em maio, um aumento de 23,9% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O aumento reflete tanto a alta taxa de juros de referência do país quanto a crescente magnitude de sua dívida pública.

A contínua campanha de aperto monetário do banco central acelerou a tendência de aumento dos pagamentos de juros. Para controlar a inflação, as autoridades aumentaram a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 15%, no início deste mês.

Esta nova decisão eleva o número total de aumentos de taxas desde setembro para 450 pontos-base.

O déficit primário é mais estreito do que o esperado

Mesmo com uma carga de dívida cada vez mais cara, o Brasil acabou com um déficit orçamentário primário menor do que o esperado, com analistas surpresos com o desempenho.

Em maio, o déficit primário do setor público ficou em 33,74 bilhões de reais, muito menos do que o déficit de 42,7 bilhões de reais previsto por uma pesquisa da Reuters com economistas.

O défice primário (o défice excluindo o pagamento de juros) é um indicador importante da orientação orçamental do orçamento público.

Um hiato menor indica uma ligeira melhora na disciplina fiscal ou uma melhor arrecadação de receitas, mas esses avanços não foram significativos o suficiente para combater totalmente a pressão do aumento dos gastos com juros.

Dados relativos a doze meses revelam desequilíbrios estruturais

Em uma base contínua de 12 meses, o setor público teve um pequeno superávit primário de 0,2% do PIB. No entanto, os pagamentos de juros durante o mesmo período totalizaram 7,77% do PIB, elevando o déficit nominal geral para 7,58% do PIB.

Esses números demonstram a crescente disparidade estrutural entre as obrigações de receita e dívida do Brasil.

Embora o governo tenha mantido um superávit primário no ano passado, o alto nível de pagamentos de juros resultou em um déficit nominal contínuo e um aumento da relação dívida/PIB.

As perspectivas fiscais dependem da inflação e das taxas

Novos dados refletem os desafios fiscais que o Brasil enfrenta em um ciclo de aperto da política monetária.

Os governos estão sob constante pressão sobre as perspectivas fiscais mais amplas, à medida que o custo do serviço da dívida pública continua a aumentar e as taxas de juros permanecem em níveis historicamente mais altos para combater a inflação.

A dinâmica da dívida pública ainda é vulnerável a escolhas futuras sobre o controle da inflação, já que a política monetária permanece restritiva e a taxa de referência está atualmente em uma alta de vários anos.

O objectivo do Governo de reduzir os défices primários não tem sido suficiente para compensar esta tendência, impulsionada pelo aumento do pagamento de juros, desencorajando o progresso no sentido de uma estabilização da dinâmica da dívida do país, de acordo com os dados de Maio.