Brasil mira retorno aos mercados globais de dívida no 2º semestre de 2025 em meio ao aumento da confiança dos investidores

Brasil mira retorno aos mercados globais de dívida no 2º semestre de 2025 em meio ao aumento da confiança dos investidores
Noris Soto
07 de jul. de 2025, 14:37 PM
  • O Brasil planeja uma terceira venda global de títulos em 2025, depois de levantar US$ 5,25 bilhões no primeiro semestre.
  • Tesouro mira emissão de títulos sustentáveis em meio ao forte apetite dos investidores.
  • Altas taxas reais e moeda estável continuam a atrair capital estrangeiro.

O Brasil planeja retornar aos mercados internacionais de dívida no segundo semestre de 2025 , após uma emissão bem-sucedida de títulos soberanos no início deste ano, disse o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, nesta segunda-feira.

Em fevereiro, o país vendeu US$ 2,5 bilhões em títulos denominados em dólares, depois voltou ao mercado por mais US$ 2,75 bilhões em junho, a primeira vez que o Brasil vendeu mais de duas ofertas de títulos estrangeiros no mesmo ano desde 2014.

Ceron disse que o Brasil continuará presente nos mercados externos, dada a alavancagem atraente e a demanda dos investidores.

O novo título sustentável é outra estratégia para aumentar a diversificação das fontes de financiamento e a incursão em uma base de clientes internacionais em rápido crescimento para ativos ESG.

Fundamentos macroeconômicos que impulsionam as entradas de capital

Apesar das persistentes preocupações dos investidores com a expansão da dívida pública do Brasil, Ceron apontou que padrões orçamentários comparáveis são vistos em outras grandes nações.

Ele observou que a estrutura macroeconômica do Brasil, particularmente seu alto montante de dívida em moeda local e taxas de juros reais continuamente altas, mantém o país em uma posição forte.

Esses fatores contribuíram para a continuidade das entradas de capital em 2025, elevando o real em mais de 10% no acumulado do ano.

O apelo do Brasil aos investidores estrangeiros cresceu à medida que sua moeda se fortaleceu, juntamente com a queda da inflação e um ambiente de taxas de juros estáveis.

Isso também se reflete em um aumento nas emissões de títulos corporativos, maior participação estrangeira nos mercados de dívida pública e ganhos em ações locais.

Ceron afirmou que a atmosfera oferece uma "janela quase perfeita" para investidores não residentes que buscam capitalizar diferenciais de taxas de juros favoráveis e baixa volatilidade cambial.

Emissão doméstica acelera para capitalizar as condições de mercado

Na frente doméstica, o Tesouro do Brasil aumentou as vendas de títulos para explorar o que Ceron chamou de "um momento maravilhoso" para o mercado doméstico.

As taxas de rolagem da dívida estão atualmente em torno de 140% dos vencimentos em comparação com uma norma histórica de 100%, dando ao Tesouro algum espaço para se defender contra turbulências políticas e financeiras que antecedem as eleições presidenciais de 2026.

No próximo mês, será tomada a decisão de alterar o Plano Anual de Financiamento (PAF) do governo para manter o atual ritmo de emissão até o final do ano.

Se essa estratégia pode ser mantida, em última análise, depende do mercado e das necessidades da política fiscal.

Um indicador mais recente da confiança sustentada dos investidores foi uma venda bem-sucedida de títulos indexados à inflação na semana passada, que foram compensados com rendimentos abaixo de 7% – os rendimentos mais baixos desde 2024.

As perspetivas continuam otimistas, mas dependem da estabilidade da política

A projeção de retorno do Brasil ao mercado global de títulos no segundo semestre de 2025 é sustentada pela melhoria das condições internas e pelo aumento da confiança dos investidores.

No entanto, a estratégia depende da manutenção da estabilidade macroeconómica e da superação de obstáculos legislativos cruciais.

Se essas variáveis persistirem, o Brasil parece estar no caminho certo para continuar sua trajetória de aumento de financiamento até o final do ano.