Tarifas dos EUA sobre o café brasileiro: o que significa?

Tarifas dos EUA sobre o café brasileiro: o que significa?
Sayantan Sarkar
14 de jul. de 2025, 03:39 AM
  • O presidente dos EUA, Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as importações de café do Brasil, a partir de 1º de agosto.
  • O Brasil é o maior produtor mundial de café, fornecendo mais de 25% das importações de café dos EUA.
  • Substituir o café brasileiro será um desafio para os EUA, potencialmente levando a preços mais altos.

Os preços do café devem subir, já que o presidente dos EUA, Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre todas as importações do Brasil, o maior produtor mundial de café.

As tarifas estão programadas para começar em 1º de agosto, a menos que a decisão seja revertida.

O Brasil se destaca como uma força dominante no mercado global de café, fato ressaltado por sua contribuição significativa para as importações de café dos EUA.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mais de 25% de todo o café que entra nos EUA é originário do Brasil. Essa parcela substancial destaca o papel crucial do Brasil no fornecimento de uma das maiores nações consumidoras de café do mundo.

Produção de café no Brasil

Olhando para o futuro, a produção de café do Brasil deve manter sua trajetória robusta.

As previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram que, para a safra 2025-26, a produção de café do Brasil deve atingir impressionantes 65 milhões de sacas de 60 quilos.

Essa projeção reflete a contínua eficiência agrícola do país, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões de cultivo e os investimentos contínuos no cultivo de café.

Esse volume solidifica a posição do Brasil como o maior produtor mundial de café, impactando as cadeias de suprimentos globais e os preços internacionais do café.

O forte desempenho contínuo da produção brasileira de café é um fator chave para importadores e consumidores de café em todo o mundo, garantindo um fornecimento constante dessa amada commodity.

Estima-se que o Brasil produza 65 milhões de sacas de café, sendo 40,9 milhões de arábica e 24,1 milhões de robusta. O USDA prevê que as exportações de café do Brasil sejam de 38 milhões de sacas, enquanto a demanda de importação dos EUA deve ser de 23 milhões de sacas.

EUA enfrentarão desafios na substituição do café brasileiro

Portanto, os importadores dos EUA enfrentam desafios significativos para substituir o café brasileiro devido às suas características únicas e à posição dominante do mercado brasileiro, disse Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank AG, em relatório.

O grande volume e os perfis de sabor específicos dos grãos brasileiros dificultam a localização de substitutos equivalentes de outras nações produtoras de café.

Essa escassez pode levar a preços mais altos e disponibilidade reduzida para os consumidores se estratégias alternativas de fornecimento não forem desenvolvidas.

"Isso ocorre porque as exportações da Colômbia, o segundo maior produtor de arábica, devem ser de 10,7 milhões de sacas, uma queda de 500.000 sacas em relação ao ano anterior", disse Fritsch.

Outros produtores de café latino-americanos provavelmente experimentarão tendências semelhantes. Para o Robusta, os EUA podem comprar do Vietnã, com projeções do USDA indicando exportações de 24,6 milhões de sacas daquele país.

No entanto, uma tarifa de 20%, conforme estipulado pelo acordo comercial bilateral, também seria imposta às importações de café dos EUA do Vietnã.

"Mesmo que houvesse um desvio parcial dos fluxos comerciais, os EUA provavelmente teriam que importar café a taxas mais altas", disse Fritsch.

Impacto das tarifas dos EUA sobre o café negociado em bolsa

É incerto que efeito as tarifas dos EUA terão sobre os preços do café negociados em bolsa.

Fritsch acrescentou:

A imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pode enfraquecer significativamente o real brasileiro em relação a outras moedas.

Essa depreciação tornaria as exportações brasileiras, incluindo o café, mais atrativas e baratas para os compradores internacionais.

Como resultado, é altamente provável que haja um aumento na entrada do café brasileiro no mercado global, impactando potencialmente os preços do café e a dinâmica da oferta em todo o mundo.

"Se, por outro lado, os consumidores dos EUA estiverem dispostos a pagar os preços mais altos sem reduzir a demanda, a demanda adicional dos EUA por café fora do Brasil pode fazer com que os preços do café nas bolsas subam", disse Fritsch.