ConocoPhillips cortará até um quarto da força de trabalho em meio à reestruturação

ConocoPhillips cortará até um quarto da força de trabalho em meio à reestruturação
Noris Soto
03 de set. de 2025, 14:18 PM
  • A ConocoPhillips planeja cortar de 20 a 25% de sua força de trabalho de 13.000 funcionários como parte de um amplo programa de reestruturação.
  • Os custos de produção, agora de US$ 13 por barril, permanecem US$ 2 acima dos concorrentes.
  • A maioria das demissões ocorrerá até o final do ano, com a reorganização concluída até 2026.

A ConocoPhillips, produtora de petróleo e gás dos EUA, anunciou na quarta-feira que reduzirá sua força de trabalho em 20-25% como parte de um plano de reestruturação abrangente, após rumores de que o CEO Ryan Lance descreveu o programa em uma mensagem de vídeo no início daquele dia.

No início do pregão, as ações da empresa caíram 4,1%, para US$ 94,90, destacando as preocupações dos investidores sobre o tamanho dos cortes e os custos crescentes que colocaram a ConocoPhillips atrás de seus pares.

Aumento dos custos leva à reestruturação

"À medida que simplificamos nossa organização e tiramos o trabalho do sistema, precisaremos de menos funções", disse Lance na mensagem de vídeo, de acordo com aqueles que a viram.

Ele afirmou que o aumento das despesas colocou a empresa em desvantagem, com custos de produção controláveis sendo US$ 2 por barril mais altos do que os de seus concorrentes.

Os custos de produção aumentaram de US$ 11 por barril em 2021 para US$ 13 por barril em 2024.

A ConocoPhillips agora emprega aproximadamente 13.000 pessoas em todo o mundo, o que significa que 2.600 a 3.250 empregos podem ser removidos.

A maioria dos cortes provavelmente ocorrerá até o final do ano, disse o porta-voz da ConocoPhillips, Dennis Nuss, à Reuters por e-mail.

Cronograma de reorganização

A nova estrutura e equipe de gestão devem ser anunciadas em meados de setembro, de acordo com duas fontes familiarizadas com os planos da empresa.

Prevê-se que toda a reorganização seja concluída até 2026. Além disso, uma reunião na prefeitura está planejada pela ConocoPhillips na quinta-feira às 9h, horário central, onde a empresa discutirá as mudanças com seus funcionários.

Essa iniciativa de reestruturação, apelidada de "Competitive Edge" internamente, está sendo dirigida em parte pelo Boston Consulting Group, que a ConocoPhillips contratou no início deste ano, disseram duas fontes à Reuters em abril.

Iniciativas de corte de custos e margem

Essa demissão é uma das várias etapas tomadas para obter eficiência de custos. Em novembro, a empresa informou que havia identificado mais de US$ 1 bilhão em novas oportunidades de redução de custos e aumento de margem.

Esses cortes de custos se somam a mais de US$ 1 bilhão em economia com a fusão da ConocoPhillips com a Marathon Oil no ano passado.

O esforço de corte de custos ocorre em um momento de queda nos lucros. O lucro líquido da ConocoPhillips ficou pouco abaixo de US$ 2 bilhões no segundo trimestre, o menor desde o trimestre encerrado em março de 2021, quando a demanda despencou nos primeiros dias da pandemia de COVID-19.

Tendência em todo o setor

A ConocoPhillips não está sozinha na reorganização de seu pessoal. No início deste ano, a petrolífera Chevron (CVX) e a empresa de serviços de campos petrolíferos SLB (SLB) anunciaram demissões, ressaltando maiores preocupações com custos no setor de energia dos Estados Unidos.

A corporação retratou a reestruturação como um passo essencial para se manter competitiva em uma era de aumento de preços e mudanças nas condições de mercado.

Lance enfatizou que a redução de responsabilidades e a simplificação das operações ajudarão a ConocoPhillips a se alinhar melhor com suas contrapartes e aumentar a lucratividade a longo prazo.

Perspectiva

Analistas dizem que essas medidas indicam uma ênfase maior na excelência operacional e na disciplina de custos em resposta aos mercados de energia voláteis e podem ser valiosas nos próximos anos.

Esse movimento é típico da filosofia da empresa: um compromisso entre a redução de custos de curto prazo e a estratégia de negócios sustentável, buscando transformar o negócio enquanto permanece operacionalmente competitivo em um ambiente de mercado hostil.