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Austrália revela meta de emissões para 2035, atraindo críticas ambientais

Austrália revela meta de emissões para 2035, atraindo críticas ambientais
Sayantan Sarkar
18 de set. de 2025, 02:43 AM
  • A Austrália estabeleceu uma meta de emissões para 2035 de redução de 62% a 70% em relação aos níveis de 2005, o que é menor do que o esperado.
  • Grupos ambientalistas criticaram a meta como pouco ambiciosa, priorizando os lucros da indústria em detrimento da ação climática.
  • Apesar da meta reduzida, a Austrália comprometeu bilhões em energia limpa e está se candidatando para sediar a COP31.

A Austrália anunciou na quinta-feira sua meta de emissões para 2035, visando uma redução de 62% a 70% em relação aos níveis de 2005.

Esse número foi menor do que o previsto e atraiu críticas de organizações ambientais, de acordo com um relatório da Reuters.

As Nações Unidas solicitam aos países que apresentem seus planos climáticos, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), até o final de setembro.

Esse prazo permite que seus esforços sejam avaliados antes da cúpula do clima COP30, marcada para novembro no Brasil.

A Austrália está entre os maiores poluidores per capita do mundo, principalmente devido à sua extensa indústria de recursos, que envolve extração significativa de carvão e gás natural.

Alvos

A Autoridade de Mudanças Climáticas, um órgão consultivo independente, sugeriu inicialmente uma meta de 65% a 75%. No entanto, a meta real do país é inferior a esse intervalo, bem como abaixo das projeções modeladas pelo Departamento do Tesouro.

Na quinta-feira, Chris Bowen, ministro de Mudanças Climáticas e Energia, afirmou em uma coletiva de imprensa que a meta reduzida era uma meta mais alcançável.

Os ambientalistas criticaram duramente a meta reduzida, considerando-a pouco ambiciosa e priorizando a indústria em detrimento das comunidades vulneráveis da região que enfrentam as mudanças climáticas.

"O novo plano climático do governo albanês é uma afronta às comunidades em todo o Pacífico e na Austrália que enfrentam os impactos crescentes das perigosas mudanças climáticas", disse Shiva Gounden, chefe do Pacífico do Greenpeace Austrália Pacífico, citado no relatório da Reuters.

De acordo com Dermot O'Gorman, CEO do WWF-Austrália, o alvo "perigosamente aquém do que a ciência exige".

Energia verde

Na quinta-feira, o governo trabalhista de centro-esquerda demonstrou seu compromisso com as iniciativas ambientais, alocando bilhões de dólares em financiamento adicional para energia limpa.

Em colaboração com outras nações do Pacífico, Canberra também está competindo para sediar a cúpula COP31 em 2026.

No entanto, sua recente escolha de prolongar a vida útil de um grande projeto de gás natural criou atrito com várias nações insulares do Pacífico. Esses países são particularmente suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas.

De acordo com Stephanie Bashir, CEO da Nexa Advisory, uma empresa que auxilia empresas em sua transição para energia limpa, a relutância da Austrália em se comprometer com a eliminação gradual de suas antigas usinas de carvão está impedindo a adoção de energias renováveis.

"A certeza em torno do fechamento de carvão enviará os sinais de mercado muito necessários para o desenvolvimento de energias renováveis", disse ela no relatório.

Entre as metas climáticas apresentadas à ONU até agora, a do Reino Unido é a mais ambiciosa, visando uma redução de 81% em relação aos níveis de 1990.

A Noruega segue com a promessa de um corte de 70% a 75%. Vale a pena notar que a maioria dessas metas, incluindo a da Austrália, usa diferentes anos de linha de base.

Alinhamento com a UE

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou que a redução proposta pelo país está alinhada com as indicações de aliados como a União Europeia, que ainda não finalizou sua meta.

Na quinta-feira, o governo anunciou 5 bilhões de dólares australianos (US$ 3,32 bilhões) em financiamento para apoiar a descarbonização de instalações industriais.

Além disso, A$ 2 bilhões foram alocados para a Clean Energy Finance Corporation para manter a pressão descendente sobre os preços da eletricidade.

Albanese afirmou que, embora a Austrália possa não ser o maior poluidor ou economia, sua dedicação em lidar com as mudanças climáticas continua significativa.