Chile mira orçamento "responsável" em 2026 enquanto Codelco busca recuperação do cobre

Chile mira orçamento "responsável" em 2026 enquanto Codelco busca recuperação do cobre
Noris Soto
25 de set. de 2025, 11:56 AM
  • O ministro das Finanças, Nicolas Grau, disse que o orçamento de 2026 terá um aumento médio menor, de 2%.
  • A Codelco busca se recuperar de contratempos e reforçar sua liderança em cobre.
  • Grau projetou um crescimento de 2,5%, impulsionado por projetos de energia limpa e digitais.

O governo do Chile proporá um orçamento "responsável" para 2026, com crescimento limitado nos gastos em relação aos anos anteriores, disse o ministro das Finanças, Nicolás Grau, em entrevista à Reuters.

A nova proposta de orçamento equilibraria "disciplina fiscal e espaço para o futuro governo", disse Grau, e sua nomeação foi feita pelo presidente Gabriel Boric em agosto.

O ministro não forneceu um número específico para o aumento, mas disse que Boric anunciará o valor, ressaltando que a partir de 2023 a tendência tem sido de queda quando o orçamento cresceu 4,2%

Com o novo plano, Grau disse que o aumento médio anual no orçamento cairia para cerca de 2%.

"O que vamos fazer é definir um orçamento responsável com o Congresso que atenda às necessidades do país e forneça flexibilidade suficiente para o próximo governo", disse Grau.

A declaração ocorre no momento em que o Chile se prepara para uma eleição presidencial em novembro.

Boric, que está no cargo desde março de 2022, renunciará em março do próximo ano porque a constituição o proíbe de concorrer à reeleição duas vezes consecutivas.

A estratégia da Codelco para fechar as lacunas de produção

Junto com a política fiscal, o foco no setor de mineração do Chile continua.

O cobre representa cerca de um terço da produção mundial; portanto, o cobre é a espinha dorsal da economia do país.

No entanto, a mineradora estatal Codelco enfrenta problemas de produção há vários anos, mais recentemente um acidente mortal em agosto em sua principal mina El Teniente, que a forçou a reduzir a orientação de produção anual.

Grau expressou confiança no plano de recuperação que a empresa está implementando para fechar as lacunas de produção e garantir seu lugar de longo prazo no mercado mundial de cobre.

Um desses episódios é a Codelco colaborando com a Anglo American para explorar depósitos adjacentes, evidenciando ainda mais seu pivô para misturar privado e público.

"(A Codelco) está criando essas parcerias público-privadas que lhe permitem manter sua liderança no setor de cobre", disse Grau.

Aumentar o crescimento através do investimento

A economia chilena sofreu obstáculos nos últimos anos, mas Grau continua otimista sobre o prognóstico de curto prazo.

Ele prevê um crescimento de 2,5% este ano, graças em parte a um aumento de mais de 5% no investimento em projetos neutros em carbono, que variam de programas de energia limpa a infraestrutura digital.

O ministro enfatizou que o ímpeto do investimento será fundamental para superar obstáculos como o desemprego, que permanece alto apesar das melhorias recentes.

"Embora a taxa de desemprego tenha caído um pouco nos dados mais recentes, 8,7% é uma taxa de desemprego desafiadora. Acreditamos que essa taxa deve ser reduzida", disse ele.

Prioridades políticas: pensões e licenças

Em seus últimos meses, o governo priorizou reformas estruturais na agenda econômica.

Grau enfatizou a importância da reforma previdenciária e melhorias nos processos de licenciamento, ambas as quais têm sido as principais prioridades das grandes empresas.

Grandes mineradoras como a BHP e fornecedores de energia renovável como a TotalEnergies defenderam aprovações mais rápidas para impulsionar projetos e estimular o crescimento.

De acordo com Grau, houve progresso na simplificação das principais categorias de licenciamento, resultando em estimativas de investimento mais altas.

No entanto, ele reconheceu que o licenciamento ambiental ainda é um obstáculo.

As aprovações nesse setor demoram mais do que em outros, atrasando a construção de projetos críticos para a mudança do país para uma energia mais verde.

O ministro reconheceu que o Poder Executivo fez "esforços significativos" para progredir na reforma nessa área, mas hesitou em prever se ela seria concluída sob o mandato de Boric.