A ação da HPE despenca 9%: o que assustou os investidores na sexta-feira?

A ação da HPE despenca 9%: o que assustou os investidores na sexta-feira?
Devesh Kumar
05 de dez. de 2025, 10:31 AM
  • A HPE ficou atrás das expectativas de receita por US$ 260 milhões, abalando a confiança em sua mudança liderada pela IA.
  • As vendas de servidores de IA caíram 5% à medida que grandes clientes atrasaram a implantação e os envios foram adiados para os próximos trimestres.
  • As margens se apertaram, com a margem operacional dos servidores caindo para 9,8% em meio à pressão sobre preços e custos de componentes.

A Hewlett Packard Enterprise (NYSE: ações HPE) despencou 9% na sexta-feira após a empresa revelar que sua história de servidor de IA de sucesso está enfrentando obstáculos.

O desenvolvimento ocorreu enquanto a HPE divulgava seus resultados do quarto trimestre, que apresentavam um cenário misto. A empresa apresentou margens de lucro sólidas, mas uma queda de receita que indicava problemas pela frente.

A HPE ficou abaixo da meta de receita de Wall Street por 260 milhões de dólares, ficou em 9,68 bilhões contra o consenso de 9,94 bilhões de dólares, e ofereceu orientações cautelosas para o próximo trimestre que fizeram os investidores correrem para sair da lista.

Os investidores demonstraram preocupação com a desaceleração dos gastos empresariais, especialmente em relação à infraestrutura de IA.

Ações HPE: Quando o hype encontra a demanda irregular

A queda nas ações da HPE foi acentuada, pois os investidores tiveram dificuldades para digerir uma métrica chave. O negócio de servidores da HPE, joia da coroa de sua pivô para IA, contraiu 5% para US$ 4,5 bilhões no trimestre.

Segundo a administração, o responsável pela contração não foi a falta de demanda, mas sim o timing.

Grandes clientes governamentais e corporativos que encomendaram servidores de IA atrasaram suas datas de implantação, adiando as remessas para os próximos trimestres.

A diretora financeira Marie Myers reconheceu que a "irregularidade" provavelmente persistirá à medida que a empresa busca clientes maiores e com maior margem, com ciclos de projeto mais longos e imprevisíveis.

Analistas apontaram a contradição fundamental: sim, a HPE registrou 2 bilhões de dólares em novos pedidos de servidores de IA, mas os atrasos nos envios significam que a receita de curto prazo continuará sob pressão.

Além disso, o que assustou ainda mais os investidores foi a história da margem.

As margens operacionais do segmento de servidores comprimiram para apenas 9,8%, em relação a 11,6% do ano anterior, pressionadas pela pressão de preços e pelo aumento do custo dos componentes.

Morgan Stanley e Bank of America endossaram a estratégia de IA da HPE, mas os números de sexta-feira sugeriram que a execução pode superar a prontidão dos clientes.

Um sinal de cautela em todo o setor

O tropeço do HPE ecoou pelo complexo tecnológico corporativo.

Dell, Cisco e Lenovo sentiram pressão semelhante pelo mesmo problema subjacente: os clientes estão migrando de compras em pânico imediatas para gastos mais medidos e deliberados em infraestrutura de IA.

As empresas que apostam mais fortemente em um boom sustentado da IA estão percebendo que os clientes realmente querem ver retornos de investimentos anteriores antes de comprometer a próxima parcela de capital.

Essa mudança, da urgência para o ceticismo, percorreu toda a cadeia de suprimentos dos data centers na sexta-feira.

O CEO Antonio Neri tentou enquadrar o trimestre de forma positiva, observando que a aquisição da Juniper Networks já está contribuindo e que a Catalyst, o programa de redução de custos da HPE, superou as metas.

Mas revisões das orientações raramente inspiram confiança, e os investidores já estavam atentos após a HPE não atingir as metas de receita nos últimos trimestres.

A ação, que perdeu cerca de 25% desde o novo ano, agora negocia em múltiplos deprimidos que refletem dúvidas persistentes sobre se a história de transformação da HPE pode superar a desaceleração de curto prazo nos gastos corporativos.