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A apreensão dos EUA de petroleiro venezuelano ameaça aprofundar a crise energética de Cuba

A apreensão dos EUA de petroleiro venezuelano ameaça aprofundar a crise energética de Cuba
Noris Soto
12 de dez. de 2025, 13:06 PM
  • A apreensão de petroleiros dos EUA ameaça sufocar ainda mais o já reduzido fornecimento de petróleo venezuelano de Cuba.
  • Apagões contínuos e a redução das importações do México e da Rússia deixam Cuba com opções energéticas cada vez menores.
  • Operadores de navegação repensam as rotas enquanto Washington prepara sanções e interceptações adicionais.

A apreensão de um petroleiro venezuelano pelos EUA nesta semana pode agravar a já instável situação energética de Cuba.

A ilha controlada pelos comunistas é assolada por persistentes escassez de combustível, causando apagões contínuos que duram horas todos os dias.

Cuba depende principalmente do petróleo bruto e das mercadorias refinadas venezuelanas para sustentar sua precária rede elétrica. Grande parte desse combustível vem de naves pequenas e de uma frota de tanques em sombra trabalhando sob sanções.

Segundo analistas e dados de navegação, grande parte das necessidades da ilha vem da Venezuela.

E, ainda assim, essa cadeia de suprimentos está agora exposta, com a apreensão do petroleiro aumentando o potencial para ações de fiscalização mais amplas nos EUA.

Se a interceptação desta semana levar ao retorno da nova tendência, com Washington preparando sanções adicionais e confiscos de petroleiros, Cuba pode enfrentar consequências catastróficas.

Fontes familiarizadas com o assunto disseram à Reuters que os EUA antecipam novas interceptações nas próximas semanas, um plano que pode limitar o acesso a combustíveis vindos da Venezuela.

Uma linha de suprimento sob ameaça

Entre janeiro e novembro, a Venezuela exportou 27.000 barris por dia de petróleo bruto e combustível para Cuba, uma queda em relação aos 32.000 barris por dia do ano anterior, segundo documentos internos da PDVSA e estatísticas de navegação.

Segundo Jorge Pinon, que analisa a infraestrutura energética de Cuba na Universidade do Texas em Austin, essas cargas representam cerca de metade do déficit de petróleo do país, ou cerca de um quarto da demanda total.

Pinon teme que a posição da ilha possa se deteriorar rapidamente. Sem a contribuição da Venezuela, que já está em risco devido às sanções, as importações de Cuba despencariam consideravelmente mais.

O México reduziu suas próprias exportações para a ilha este ano, e as expectativas de um grande fornecimento russo não se concretizaram.

"Agora que o México está enviando menos petróleo e o fornecimento russo em grandes quantidades não se materializou, simplesmente não vejo outras alternativas", afirmou Andrei Pinon. "Os tempos estão difíceis e vão ficar ainda mais difíceis."

A postura cada vez mais rígida dos EUA, agravada pela campanha de pressão do presidente Donald Trump contra Nicolas Maduro, causou ondas de choque em todo o setor marítimo.

Proprietários, operadores e agências de navegação estão reconsiderando sua saída programada da Venezuela, segundo a Reuters, devido a preocupações de se tornarem alvos de processos pelos EUA.

Repercussão política e manobras estratégicas

O governo cubano respondeu fortemente à recente apreensão de petroleiros.

O presidente Miguel Díaz-Canel condenou a ação em X como "um ato de pirataria, uma violação do Direito Internacional e uma escalada de agressão contra essa nação irmã."

Com a pressão financeira devido ao embargo comercial dos EUA que remonta aos tempos da Guerra Fria, Cuba tem buscado meios inovadores para adquirir combustível há décadas. Os métodos mudaram à medida que as sanções se tornaram mais rígidas.

De acordo com imagens de satélite analisadas pela TankerTrackers.com, o Skipper, que a embarcação apreendeu esta semana, descarregou parte da carga de petróleo bruto venezuelano preparada perto da ilha caribenha de Curaçao para outro petroleiro em uma aparente rota para Cuba.

Segundo a Reuters, isso segue um padrão de superpetroleiros de terceiros que transportam petróleo bruto venezuelano sob fretamentos comuns, desviam para o Caribe para vazar óleo para uma embarcação condenada a Cuba e depois viajam para a China com carga a granel.

Os detalhes desses acordos de compartilhamento de carga são opacos. Cuba há muito tempo fornece serviços de segurança e inteligência a Maduro, mas não está claro como isso se encaixa nas atuais trocas de combustível.

Ao mesmo tempo, várias cargas russas de nafta foram divididas entre Cuba e Venezuela este ano, com petroleiros transportando pacotes para cada país por sua vez, para aproveitar ao máximo uma frota limitada.

Buscando alternativas energéticas

Cuba anunciou planos para acelerar o desenvolvimento de novos parques solares como parte de uma estratégia maior para diversificar suas fontes de energia.

No entanto, autoridades admitem que as usinas a óleo ultrapassadas da ilha continuarão a precisar de combustível, limitando o impacto de curto prazo dos projetos renováveis.

À medida que a pressão dos EUA aumenta e a capacidade da Venezuela de enviar petróleo para Cuba enfrenta novos perigos, a crise energética de longa data da ilha corre o risco de piorar, deixando poucas opções para um país que já luta para se manter à tona.