O medidor de inflação do Brasil está abaixo das previsões e sinaliza um resfriamento de fim de ano

O medidor de inflação do Brasil está abaixo das previsões e sinaliza um resfriamento de fim de ano
Noris Soto
23 de dez. de 2025, 13:39 PM
  • O IPCA-15 do Brasil subiu 0,25% em dezembro, ficando ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
  • A taxa de inflação de 12 meses caiu para 4,41%, permanecendo abaixo do teto meta.
  • Os custos de transporte, impulsionados pelas tarifas aéreas, foram o principal motor do aumento dos preços em dezembro.

O indicador de inflação IPCA-15 do Brasil diminuiu ainda mais abaixo das expectativas do mercado em dezembro, reforçando sinais de que as pressões de preços estão desacelerando e que a inflação anual anual provavelmente terminará abaixo do limite superior da faixa-alvo do banco central.

O IPCA-15 subiu 0,25% em dezembro, um pouco mais rápido que o aumento de 0,20% registrado em novembro, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Ainda assim, a leitura ficou abaixo da estimativa mediana de 0,27% em uma pesquisa da Reuters.

Em termos anuais, o índice moderou para 4,41% em dezembro, abaixo dos 4,50% de novembro e ligeiramente abaixo dos 4,43% previstos pelos economistas pesquisados pela Reuters.

O resultado permanece dentro da meta de inflação do Brasil de 3,0%, o que permite uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual acima ou abaixo da meta.

Inflação desacelera após atingir o pico em abril

A leitura de dezembro encerrou um ano de moderação gradual nas pressões inflacionárias.

A taxa de IPCA-15 em 12 meses caiu consideravelmente desde que atingiu o pico de 5,49% em abril, o nível mais alto registrado este ano.

O índice aumentou 4,71% em 2024.

A desaceleração ocorreu em meio a uma política monetária restritiva. A taxa de referência Selic do Brasil está em 15%, um nível que o Banco Central considerou apropriado manter por um período prolongado para direcionar a inflação de volta à meta.

Sob o regime contínuo de metas de inflação do Brasil, a meta é considerada ultrapassada se a inflação permanecer fora da faixa de tolerância por seis meses consecutivos.

Nesse caso, o Banco Central do Brasil é obrigado a explicar publicamente as razões para o desvio.

Os dados oficiais de inflação de dezembro, juntamente com os números do ano inteiro de 2025, estão programados para serem divulgados em 9 de janeiro pelo IBGE.

Transporte e tarifas aéreas impulsionam o aumento de dezembro

Em dezembro, o grupo de Transportes exerceu a maior pressão de alta sobre o índice, subindo 0,69%.

Esse aumento foi impulsionado principalmente por um enorme aumento de 12,71% nas tarifas aéreas.

Os preços dos combustíveis também subiram 0,26% mês a mês. Enquanto etanol (+1,70%) e gasolina (+0,11%) tiveram ganhos, a gasolina e o diesel dos veículos trouxeram algum alívio, caindo 0,26% e 0,38%, respectivamente.

O setor de vestuário registrou o segundo maior aumento (+0,69%), seguido por Despesas Pessoais (+0,46%).

Enquanto isso, Alimentos e Bebidas — o componente mais pesado do índice — subiu apenas 0,13%. Notavelmente, os custos dos alimentos em casa caíram na verdade 0,13%, ajudando a amenizar pressões inflacionárias mais amplas.

Habitação e alimentação dominam os ganhos anuais

A habitação registrou o maior aumento anual acumulado, com 6,69%, enquanto a eletricidade residencial disparou 11,95%, sendo o principal motor da inflação em 2025.

O setor de Alimentos e Bebidas foi a segunda maior contribuição (+3,57%).

Notavelmente, o café moído foi uma exceção significativa, registrando um aumento anual acentuado de 41,84%.

Olhando para o futuro, os dados atuais sugerem que a inflação pode diminuir ainda mais no primeiro semestre de 2026.

Segundo o economista sênior André Valério, o primeiro trimestre de 2026 mostra sinais de menor pressão inflacionária em comparação com o mesmo período de 2025, o que permitiria uma desaceleração mais rápida da taxa de 12 meses.