Coca-Cola abandona a venda da Costa Coffee após ofertas de private equity ficaram aquém: relatório

Coca-Cola abandona a venda da Costa Coffee após ofertas de private equity ficaram aquém: relatório
Vatsala Gaur
14 de jan. de 2026, 03:52 AM
  • A Coca-Cola interrompeu a venda da Costa Coffee após as propostas caírem abaixo da meta de avaliação de £2 bilhões.
  • As perdas operacionais na Costa mais que dobraram em 2024, apesar do crescimento modesto das vendas.
  • A intensa concorrência e o aumento dos custos estão reduzindo as margens em todo o mercado de café do Reino Unido.

A Coca-Cola abandonou os planos de vender sua rede Costa Coffee após ofertas de empresas de private equity não atenderem às expectativas, informou o Financial Times.

O grupo americano de bebidas encerrou as negociações com os licitantes restantes em dezembro, encerrando um processo de leilão que durou meses, segundo o relatório do FT citando pessoas familiarizadas com o assunto.

Embora a Coca-Cola possa retomar os planos de vender a Costa no médio prazo, a decisão representa um revés para um acordo que já vinha tendo dificuldades para ganhar impulso.

O interesse em private equity fica aquém

Empresas que chegaram às fases finais das negociações incluíram a TDR Capital, proprietária do grupo de supermercados Asda, e o fundo de situações especiais da Bain Capital, que detém investimentos na Gail's e na PizzaExpress.

Anteriormente no processo, Apollo, KKR e Centurium Capital também haviam examinado a oportunidade, segundo o relatório.

A Coca-Cola vinha mirando uma avaliação de cerca de £2 bilhões para a Costa, bem abaixo dos £3,9 bilhões pagos em 2018 quando adquiriu a rede da Whitbread.

Essa diferença entre expectativas e propostas acabou se mostrando grande demais, levando a empresa a recuar na venda.

Uma aquisição que não atendeu às expectativas

A Coca-Cola comprou a Costa Coffee por um valor empresarial de US$ 5,1 bilhões para fortalecer sua posição no mercado global de café, onde compete com Starbucks e Nestlé.

Na época, o grupo afirmou que a Costa ajudaria a explorar o crescimento além dos refrigerantes, aproveitando sua rede global de distribuição e a força da marca.

No entanto, a estratégia trouxe resultados mistos.

Em julho, o CEO James Quincey reconheceu que a aquisição "não havia sido totalmente entregue" e "não estava onde queríamos que estivesse do ponto de vista da hipótese de investimento", uma admissão incomumente franca da liderança da empresa.

Pressões financeiras e competitivas crescentes

O desempenho financeiro de Costa piorou nos últimos anos.

Os prejuízos operacionais mais que dobraram para £13,5 milhões em 2024, ante £5,8 milhões no ano anterior, mesmo com as vendas subindo 1% para £1,2 bilhão.

A rede, fundada em Londres em 1971 pelos irmãos italianos Bruno e Sergio Costa, opera cerca de 2.700 cafés no Reino Unido e na Irlanda.

Os números recentes contrastam fortemente com o período pré-pandemia, quando Costa regularmente gerava lucros anuais de até £100 milhões.

O fluxo de pessoas tem sido desigual, as margens foram reduzidas, e a marca tem dificuldade para acompanhar tanto rivais focados em valor, como Greggs, quanto redes mais novas e orientadas por tendências, como Blank Street e Black Sheep Coffee.

Analistas do setor dizem que o mercado se tornou saturado e implacável.

Clive Black, da Shore Capital, disse ao Independent que Costa pode ter alcançado o "pico da Costa" no Reino Unido, deixando-o mais exposto à concorrência.

Ele também destacou um número crescente de cafés independentes e artesanais oferecendo o que os consumidores percebem como uma experiência melhor e menos uma sensação corporativa.

O aumento dos custos aumenta a pressão

Além da concorrência, as redes de café enfrentam custos mais altos, incluindo aumentos salariais, maiores contribuições para a Segurança Social e inflação persistente nos preços dos grãos de café.

A decisão de Pret de lançar uma oferta de refeição e o posicionamento agressivo de valor da Greggs destacam como a sensibilidade ao preço entre os consumidores transformou o setor.

Para a Coca-Cola, a venda estagnada a deixa ponderando se deve persistir com um ativo desafiador ou reconsiderar o desinvestimento quando as condições de mercado melhorarem.