A China planeja plano de 5 anos para aumentar o consumo e corrigir as diferenças entre oferta e demanda

A China planeja plano de 5 anos para aumentar o consumo e corrigir as diferenças entre oferta e demanda
Vatsala Gaur
20 de jan. de 2026, 05:54 AM
  • A China planeja novas políticas de impulso ao consumo para 2026–2030.
  • Serviços como saúde e cuidados a idosos são vistos como áreas-chave de crescimento.
  • Economistas alertam que o crescimento impulsionado pelas exportações está cada vez mais insustentável.

A China planeja implementar um novo conjunto de políticas de 2026 a 2030 com o objetivo de elevar o consumo interno e enfrentar o que as autoridades descrevem como desequilíbrios "proeminentes" entre oferta e demanda, com um foco mais marcado no setor de serviços, disse na terça-feira o principal planejador econômico do país.

A medida ocorre enquanto os formuladores de políticas enfrentam a desaceleração do impulso na segunda maior economia do mundo, onde a forte produção industrial continua a superar os gastos das famílias, levantando preocupações sobre a sustentabilidade do modelo de crescimento atual.

O consumo será o centro das atenções nos próximos cinco anos

Os líderes chineses prometeram aumentar significativamente a participação do consumo doméstico na economia nos próximos cinco anos, embora tenham parado antes de estabelecer uma meta numérica.

Wang Changlin, vice-chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), disse que o desequilíbrio entre oferta robusta e demanda fraca tornou-se um desafio definidor.

"A questão de ter uma oferta forte, mas uma demanda fraca na atual operação econômica é, de fato, um problema proeminente", disse Wang em uma coletiva de imprensa.

A economia chinesa cresceu em seu ritmo mais lento em quase três anos no quarto trimestre, ressaltando a pressão sobre os formuladores de políticas para reforçar a demanda interna.

O produto interno bruto cresceu 4,5% no período de outubro a dezembro, uma queda em relação aos 4,8% do trimestre anterior, segundo dados divulgados pelo National Bureau of Statistics na segunda-feira.

Apesar da desaceleração, o crescimento anual foi de 5%, igualando a meta do governo, já que um forte desempenho nas exportações ajudou a compensar a lentidão do consumo interno.

Economistas, no entanto, alertam que esse equilíbrio pode ser difícil de sustentar diante do aumento das tensões comerciais globais e da prolongada recessão no setor imobiliário.

A diferença entre oferta e demanda continua sendo uma preocupação

Dados oficiais destacam a extensão do desequilíbrio.

A produção industrial aumentou 5,9% em 2025, muito à frente do aumento de 3,7% nas vendas no varejo, apontando para excesso de capacidade e apetite dos consumidores contidos.

Em resposta, o ministério das finanças anunciou na terça-feira que estenderia os subsídios de juros para consumidores, empresas de atendimento ao consumidor e empresas que buscam atualizações de equipamentos até o final de 2026.

A política visa reduzir os custos de empréstimos e incentivar os gastos.

O ministério afirmou que a extensão ajudaria a aumentar o consumo, expandir a demanda interna e aumentar a disposição das famílias em gastar.

Também anunciou até dois anos de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas privadas, além de um programa de garantia de 500 bilhões de yuans (71,83 bilhões de dólares) ao longo de dois anos para apoiar investimentos privados.

O setor de serviços surge como prioridade política

Embora os subsídios de troca para bens como veículos elétricos continuem, autoridades sinalizaram uma mudança para os serviços como um novo motor de crescimento.

Zhou Chen, funcionário da NDRC, disse que serviços como cuidados a idosos, saúde e lazer oferecem espaço substancial para expansão.

"O setor de serviços agora se tornou um foco chave nos esforços para expandir a demanda interna", disse Zhou.

Em dezembro, a China destinou 62,5 bilhões de yuans de títulos especiais do tesouro para apoiar seu esquema de troca de eletrodomésticos e veículos de nova energia para 2026.

Economistas argumentam que reformas mais profundas são necessárias para reorientar a economia em direção ao crescimento liderado pelo consumo e reduzir a dependência de exportações e investimentos.