Colômbia interrompe exportações de energia para o Equador enquanto a disputa comercial se intensifica

Colômbia interrompe exportações de energia para o Equador enquanto a disputa comercial se intensifica
Noris Soto
22 de jan. de 2026, 13:23 PM
  • A Colômbia interromperá as exportações de eletricidade para o Equador e aplicará uma tarifa de 30% sobre produtos selecionados.
  • O Equador planeja uma "taxa de segurança" de 30% sobre os produtos colombianos devido a preocupações comerciais e de segurança.
  • A disputa agora inclui logística de energia e petróleo, com medidas recíprocas anunciadas.

Na quinta-feira, a Colômbia anunciou a suspensão do fornecimento de eletricidade ao Equador e uma tarifa de 30% sobre 20 mercadorias do país vizinho, ampliando uma disputa sobre déficits comerciais para alegações mútuas de não conformidade com a cooperação no tráfico de drogas.

Foi a medida mais recente de um rápido troca de olhos entre as duas nações andinas.

Noboa, presidente do Equador, anunciou a imposição de uma "taxa de segurança" de 30% sobre mercadorias da Colômbia para seu país a partir de 1º de fevereiro.

O anúncio foi feito um dia antes de sua declaração no sábado. Noboa apontou o déficit comercial do Equador com a Colômbia e o que ele chamou de baixa "cooperação" na luta contra as drogas como justificativas para a medida.

A Colômbia já negou anteriormente acusações de não combater o tráfico de drogas e enfatizou sua contribuição para a segurança regional.

Essa disputa desde então cresceu de tarifas simples para exportações de energia, logística de petróleo e um quadro mais amplo de trocas diplomáticas entre os dois governos respectivos.

Exportações de energia e medidas recíprocas

A Colômbia é uma grande fornecedora de energia elétrica para o Equador, e o primeiro anúncio de Quito incluiu algumas limitações às ações propostas.

O governo de Noboa declarou posteriormente que a taxa de 30% incluiria isenções para a venda de serviços logísticos de energia e petróleo, implicando que os fluxos de energia não seriam imediatamente interrompidos.

No entanto, após a decisão de preços da Colômbia na quinta-feira, o ministro de energia do Equador afirmou que o petróleo colombiano entregue pelo segundo maior oleoduto do país, o OCP, terá "a reciprocidade dada no caso da eletricidade."

Ela não detalhou como a reciprocidade seria usada na prática.

Mais tarde, na quinta-feira, o ministério da energia da Colômbia anunciou uma resolução suspendendo as "transações internacionais de eletricidade com o Equador."

O ministério não relacionou diretamente a medida às sanções comerciais do Equador, definindo-a como "uma medida preventiva para garantir o fornecimento interno diante da variabilidade climática."

Afirmou que as exportações de eletricidade seriam retomadas assim que "existissem condições técnicas, energéticas e comerciais adequadas."

Edwin Palma, ministro da Energia da Colômbia, já havia condenado as ações do Equador e, na quarta-feira, interrompeu um esforço recente que teria permitido que empresas privadas participassem das vendas de energia entre os dois países.

Desequilíbrio comercial no centro

O pano de fundo econômico da disputa é destacado nos números comerciais.

Segundo o banco central do Equador, o desequilíbrio comercial com a Colômbia foi de 838 milhões de dólares nos primeiros dez meses do ano passado.

Dados da agência de estatísticas colombiana DANE mostraram que, nos primeiros 11 meses de 3,6% do total das exportações do país, a Colômbia enviou mercadorias no valor de US$ 1,67 bilhão para o Equador.

O ministério do comércio e indústria da Colômbia afirmou em uma postagem noturna no X que a tarifa de 30% anunciada era "proporcional, transitória e reversível" e buscou restaurar o equilíbrio nas relações comerciais após a decisão do Equador sobre o que chamou de "taxa de segurança".

A Colômbia continua disposta a dialogar, disse o ministério.

A Colômbia não declarou imediatamente sobre quais produtos a tarifa se aplicaria. As principais exportações do Equador para a Colômbia incluem peixe, óleo vegetal e autopeças, segundo dados oficiais.

As acusações de tráfico de drogas são negadas

As políticas de comércio e energia estão sendo implementadas junto com debates acalorados sobre cooperação em segurança.

O presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou as acusações de que seu país não fez o suficiente para combater o tráfico de drogas, descrevendo a colaboração com as forças de segurança do Equador como "apertada".

Petro disse na quarta-feira que a Colômbia confiscou 200 toneladas métricas de cocaína ao longo da fronteira comum entre os dois países.

Ele também expressou sua expectativa de que o Equador agradeceria a ajuda da Colômbia quando ela fosse necessária e que seu governo estava ansioso para aumentar os esforços de cooperação para combater o tráfico de fentanil.

O conflito ocorre enquanto Noboa faz do combate a grupos criminosos um pilar fundamental de seu governo.

Ele tem aliado estreitamente o Equador dos Estados Unidos em política de segurança, apresentando a luta contra o crime organizado como uma prioridade máxima para o país.

À medida que ambos os governos endurecem suas posições, a combinação de tarifas, suspensão das vendas de eletricidade e alertas sobre logística do petróleo demonstra como uma disputa sobre comércio e segurança rapidamente escalou para um conflito bilateral mais complexo, com laços econômicos e energéticos agora diretamente em jogo.