Banco Central do Brasil ordena a liquidação do Banco Pleno: eis o motivo

Banco Central do Brasil ordena a liquidação do Banco Pleno: eis o motivo
Noris Soto
18 de fev. de 2026, 13:48 PM

Banco Pleno foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil, demonstrando a disposição do regulador de intervir quando uma instituição financeira é considerada inviável.

A autoridade citada em um comunicado uma 'situação econômica e financeira comprometida', uma queda na liquidez, e violações das regulamentações que regem as operações do banco como as razões da decisão, que foi tornada pública na quarta-feira.

Embora o Banco Pleno represente apenas uma pequena parcela do sistema financeiro do Brasil, o caso oferece insights sobre as ações dos supervisores quando preocupações com estabilidade financeira e conformidade regulatória se chocam.

As razões do Banco Central para agir

O Banco Central do Brasil citou três razões principais em seu comunicado: um ambiente financeiro e econômico mais fraco, liquidez em declínio e não conformidade com os regulamentos.

Ao considerar tudo, esses fatores convenceram o regulador de que o banco não era mais viável.

O Banco Central do Brasil pode fechar uma instituição financeira por meio de liquidação extrajudicial, que contorna o sistema legal.

Para garantir um encerramento suave, administradores são escolhidos para supervisionar os ativos e passivos da instituição.

O sistema pretende evitar ações legais prolongadas, ao mesmo tempo em que protege os depositantes e reduz riscos.

Impacto sistêmico mínimo

Segundo as estatísticas próprias do regulador, o Banco Pleno representa apenas 0,04% do total de ativos do sistema financeiro e 0,05% de seu financiamento total.

Como resultado, sua participação geral no mercado o torna um participante marginal.

Mas em termos absolutos, sua clientela é mais importante.

O banco tem mais de 160.000 credores com depósitos elegíveis para pagamentos de garantia no valor de 4,9 bilhões de reais (quase 938 milhões de dólares), de acordo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

À medida que o processo de liquidação avança, o fundo de garantia será crucial para compensar os depositantes protegidos.

Histórico de propriedade

Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, administrou o Banco Pleno, que o regulador também fechou em novembro.

Depois que Lima vendeu sua participação no Banco Master no ano passado, o Banco Central autorizou a compra do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter.

Quando as autoridades federais começaram a investigar a suposta venda de portfólios de empréstimos fraudulentos em novembro, Lima foi detido no mesmo dia em que o Banco Master foi fechado.

A investigação ainda está em andamento, e ele foi libertado mais tarde.

O que isso significa

Quando o declínio financeiro e violações regulatórias ocorrem ao mesmo tempo, o banco central utiliza medidas de resolução administrativa, como demonstrado pela liquidação do Banco Pleno.

O caso demonstra a extensão da autoridade de supervisão e o funcionamento do regime de garantia de depósitos do Brasil, não obstante a relevância sistêmica mínima do banco.

O fundo de garantia e o reembolso de valores elegíveis são agora as principais preocupações dos depositantes.

O caso reforça o limiar declarado pelo regulador para o mercado maior: mesmo para instituições relativamente pequenas, pode ser necessária ação quando a liquidez se deteriora, as violações de conformidade continuam e a viabilidade está em risco.