Petróleo recua abaixo de US$90; IEA revela detalhamento das reservas
- Preços do petróleo estenderam a queda para abaixo de US$90 por barril.
- IEA considera retirada de reservas que ultrapassaria os 182 milhões de barris liberados em 2022.
- Tensões geopolíticas, ataques aéreos dos EUA e risco no Estreito de Ormuz impulsionam a volatilidade.
Os preços do petróleo estenderam a queda para abaixo de US$90 por barril depois que o Wall Street Journal informou que a Agência Internacional de Energia (IEA) propôs a maior liberação de petróleo de suas reservas.
No momento da redação, o preço do petróleo bruto West Texas Intermediate estava em US$83,01 por barril, recuando 0,5%, enquanto Brent estava em US$86,85 por barril, recuando 1,1% em relação ao fechamento anterior.
O Wall Street Journal, citando funcionários familiarizados com a proposta, informou que a IEA está considerando uma retirada de reservas de petróleo que superaria os 182 milhões de barris liberados por países membros em duas liberações separadas em 2022.
Essa ação de 2022 foi uma resposta à invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia.
A IEA agendou uma reunião extraordinária de seus membros para terça-feira para discutir a proposta, com uma decisão esperada no dia seguinte, de acordo com o jornal.
O plano exigia consentimento unânime para sua adoção; uma única objeção de qualquer país, porém, poderia atrasar a iniciativa.
Enquanto isso, na terça-feira, os ministros de energia do G7 adiaram a decisão sobre a liberação de reservas estratégicas de petróleo, encarregando a IEA de avaliar a situação.
Market deficit and limits to supply increase
“Esta é a principal diferença em relação à situação atual, pois desviar petróleo da região do Golfo é possível apenas em medida limitada”, disse Carsten Fritsch, analista de commodities do Commerzbank AG, em um relatório.
O mercado registra atualmente um déficit significativo, com um déficit que ainda chega a 15 milhões de barris por dia, segundo o banco alemão.
Uma solução temporária para a lacuna de oferta, até que o transporte de petróleo seja retomado pelo Estreito de Ormuz, é a liberação de petróleo de reservas estratégicas.
“No entanto, é questionável se a liberação de reservas estratégicas teria o mesmo efeito de contenção de preços que teve há quatro anos se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por um período prolongado”, argumentou Fritsch.
Os países da OCDE detinham 1,25 bilhão de barris em reservas de petróleo controladas pelo governo ao final de 2025, com base em dados fornecidos pela Agência Internacional de Energia.
O total de reservas de petróleo somava 1,25 bilhão de barris, compreendendo 933 milhões de barris de petróleo bruto e 311 milhões de barris de produtos petrolíferos.
A maior parte das reservas de petróleo bruto situa-se nos EUA e na região Ásia/Oceania, enquanto a Europa detém a maioria das reservas de derivados.
A indústria dos países da OCDE detém adicionalmente 2,84 bilhões de barris, elevando a reserva teórica total para aproximadamente 4 bilhões de barris.
Essa quantidade poderia cobrir o déficit mencionado por cerca de nove meses.
Segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA), os EUA importaram menos de 500.000 barris de petróleo bruto por dia da região do Golfo Pérsico no ano passado.
Outros estoques, além das reservas existentes, são fontes potenciais de abastecimento.
Por exemplo, refinarias indianas receberam uma dispensa dos EUA de 30 dias que lhes permite comprar petróleo russo atualmente armazenado em petroleiros.
Além disso, a China tem a opção de utilizar os volumes substanciais que acumulou no ano passado.
Um aumento significativo na produção de petróleo é inviável porque a capacidade ociosa necessária está quase inteiramente confinada a países que atualmente não conseguem acessar o mercado global no Oriente Médio devido ao bloqueio do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, obrigando-os a reduzir a produção, observou o Commerzbank.
“Uma expansão da produção de petróleo em outros países só é possível em grau limitado, se for o caso, por exemplo na Venezuela”, disse Fritsch.
“Mas aqui também, a capacidade de produção restrita não permite um aumento significativo da oferta.”
Geopolitical fallout and price volatility
A semana começou com forte volatilidade nos preços do petróleo.
As negociações abriram na segunda-feira com um salto de mais de 20%, elevando o preço a US$120 por barril. Esse foi o nível mais alto do petróleo desde junho de 2022.
Os contratos sofreram uma reversão dramática, despencando mais de 11% na terça-feira — sua maior queda percentual desde 2022.
Enquanto isso, no final da terça-feira, os EUA e Israel realizaram o que o Pentágono descreveu como os ataques aéreos mais intensos da guerra contra o Irã.
Simultaneamente, o Comando Central dos EUA informou que os militares americanos "eliminaram" 16 embarcações iranianas de colocação de minas perto do Estreito de Ormuz.
Após essa ação, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu um alerta, exigindo a remoção imediata de quaisquer minas colocadas pelo Irã no Estreito.
Apesar das declarações repetidas de Trump de que os EUA estão prontos para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz quando necessário, um relatório da Reuters indicou que a Marinha dos EUA recusou pedidos de escolta militar da indústria marítima.
Segundo relatos, essa recusa se deve ao risco atualmente elevado de ataques.
Wood Mackenzie, uma consultoria de energia, afirmou que a guerra está atualmente reduzindo o abastecimento de petróleo e derivados do Golfo ao mercado em cerca de 15 milhões de barris por dia.
Essa redução poderia potencialmente elevar os preços do petróleo bruto até US$150 por barril.
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