Ações da Arm disparam 12% após apresentação do primeiro chip de IA interno

  • Arm apresenta primeiro chip de IA interno; ações disparam.
  • Empresa mira US$15 bilhões de receita com o novo CPU até 2031.
  • Movimento marca grande mudança do licenciamento para competição direta.

As ações da Arm Holdings subiram no pré-mercado na quarta-feira depois que a empresa revelou seu primeiro chip desenvolvido internamente e traçou metas ambiciosas de receita de longo prazo.

A ação avançou cerca de 12,6% no pré-mercado, revertendo uma queda de 1,4% na sessão anterior.

A empresa britânica de semicondutores e design de software apresentou seu AGI CPU em um evento em San Francisco na terça-feira.

O processador foi projetado para cargas de trabalho de inferência de inteligência artificial em data centers, numa área que registra demanda crescente com a expansão de aplicações de IA agentiva.

O CEO Rene Haas afirmou que o novo chip, por si só, deve gerar US$15 bilhões em receita até 2031.

Ele acrescentou que a companhia mira receita anual total de US$25 bilhões e lucro por ação de US$9 no mesmo período.

A projeção representa um salto acentuado em relação aos cerca de US$4 bilhões de receita que a Arm gerou em 2025, ressaltando a magnitude de suas ambições no mercado de infraestrutura de IA.

A Meta surgiu como o primeiro cliente confirmado para o AGI CPU, à medida que continua a investir pesadamente em infraestrutura de data centers e inteligência artificial.

Outros adotantes iniciais incluem OpenAI, Cloudflare e SAP, destacando a tração inicial entre empresas e provedores de nuvem.

Mudança estratégica além do licenciamento

Por décadas, a Arm operou um modelo de negócios baseado em licenciamento, fornecendo projetos de chips e cobrando royalties de parceiros que fabricam processadores usando sua arquitetura.

Com o lançamento de seu próprio chip, a empresa agora passa a competir diretamente com vários de seus principais clientes, incluindo Amazon, Microsoft, Nvidia e Google.

A iniciativa representa uma mudança fundamental na estratégia da Arm, ao buscar capturar uma fatia maior da cadeia de valor em computação de IA.

Analistas do Citi descreveram o anúncio como a "mudança mais significativa na história da empresa".

Disseram que, embora a entrada da Arm na fabricação de chips já fosse esperada, a combinação de uma CPU de servidor totalmente desenvolvida, o apoio de grandes clientes como Meta e OpenAI e a escala das orientações de receita surpreenderam o mercado.

“As previsões da Arm estão bem acima até mesmo das estimativas mais otimistas”, escreveram os analistas do Citi, acrescentando que a receita projetada pode se traduzir em lucro incremental e fluxo de caixa substanciais, atenuando preocupações sobre pressão potencial nas margens decorrente da mudança estratégica.

Recomendações otimistas de Wall Street

A ação da Arm foi atualizada pela Raymond James de “Market Perform” para “Outperform”, com preço-alvo de US$166.

O analista Simon Leopold afirmou que a atualização reflete a decisão da Arm de começar a produzir seus próprios chips, estratégia que ele já apoiava quando iniciou a cobertura.

Ele observou que a mudança pode impulsionar lucro operacional mais forte, sustentar o crescimento e adicionar uma nova dimensão estratégica.

Separadamente, o HSBC elevou a recomendação de Reduce para Buy na semana passada e mais que dobrou seu preço-alvo para US$205, ante US$90, marcando uma das perspectivas mais otimistas de Wall Street.

O analista Frank Lee disse que a Arm está em transição de um modelo de licenciamento dependente de smartphones para um papel central em processadores de servidores para IA, uma mudança que pode desbloquear valorização significativa.

Lee acrescentou que os royalties provenientes de CPUs para servidores poderiam, eventualmente, igualar a receita total atual da empresa, potencialmente alcançando US$4 bilhões até 2030.

Ele também observou que o sucesso no mercado de CPUs comerciais poderia permitir que a Arm aumentasse preços e melhorasse a rentabilidade.