Banco Mundial soa o alarme sobre a perspectiva econômica da Europa e da Ásia Central

Banco Mundial soa o alarme sobre a perspectiva econômica da Europa e da Ásia Central
Rivanshi Rakhrai
08 de abr. de 2026, 11:23 AM
  • Banco Mundial prevê desaceleração do crescimento na Europa e na Ásia Central em 2026.
  • Custos mais altos de energia pressionam importadores e ampliam déficits na região.
  • Rússia, Turquia e Ucrânia enfrentam crescimento mais fraco em meio às pressões de custo.

Economias emergentes e em desenvolvimento na Europa e na Ásia Central terão crescimento mais lento em 2026 devido aos efeitos do aumento dos preços de energia provocados pelo conflito em andamento no Irã, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado na quarta-feira.

Esse aumento elevou os custos operacionais das empresas e aumentou as despesas com combustíveis para os consumidores.

Embora Teerã e Washington tenham alcançado um acordo de cessar-fogo de duas semanas no final da terça-feira, a instituição financeira observou que os riscos econômicos mais amplos continuam substanciais.

Impacto regional e pressões econômicas

O Banco Mundial destacou que o conflito representa um risco substancial à estabilidade econômica global, afetando em particular os mercados emergentes e em desenvolvimento da Europa e da Ásia Central.

A região abrange quase duas dezenas de países.

Inclui o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central; membros da União Europeia como Polônia e Romênia; países dos Bálcãs como Albânia e Sérvia; assim como a Rússia, a Turquia e a Ucrânia.

Embora países exportadores de energia na região possam se beneficiar temporariamente dos preços elevados das commodities, a maioria é importadora de energia.

Essas economias provavelmente enfrentarão maior pressão fiscal e alargamento dos déficits em conta corrente devido ao aumento dos custos de importação.

Previsões de crescimento revisadas

Segundo as projeções atualizadas do Banco Mundial, o crescimento econômico geral na região deve desacelerar para 2.1% em 2026, ante 2.6% em 2025.

Se a Rússia fosse excluída, o crescimento seria ligeiramente maior, em 2.9%.

Essa estimativa revisada está ligeiramente abaixo da previsão de janeiro do Banco Mundial, que projetava crescimento de 2.2% para o ano.

O cenário de referência assume que os preços do petróleo Brent ficarão em média entre $88 e $100 por barril em 2026, juntamente com preços elevados para gás natural e fertilizantes.

Perspectivas por país

Projeta-se que a economia da Rússia cresça 0.8%, ante 1.0% em 2025, apesar de se beneficiar dos preços mais altos do petróleo e do gás.

O Banco Mundial afirmou: “Quaisquer ganhos extraordinários advindos do aumento das receitas do petróleo e do gás provavelmente serão usados para conter o déficit, em vez de financiar gastos adicionais,” apontando para as contínuas restrições fiscais.

A Ucrânia, agora entrando no quinto ano de conflito, também deve ver um crescimento mais lento, com projeções caindo para 1.2% ante 1.8% em 2025.

A perspectiva de crescimento da Turquia foi significativamente revista para baixo devido ao aumento dos custos de energia e de alimentos, que pressionam o consumo doméstico.

Agora espera-se que a economia cresça 2.8% neste ano, em comparação com a estimativa anterior de 3.7% em janeiro.

De forma semelhante, o crescimento da Polônia deve desacelerar para 3.1%, depois que tanto a Polônia quanto a Turquia registraram crescimento de 3.6% em 2025.

Riscos econômicos mais amplos

Em termos mais amplos, espera-se que os preços elevados de commodities-chave continuem a ser um freio à atividade econômica, particularmente para nações dependentes de importações.

À medida que as tensões geopolíticas persistem, os formuladores de políticas em toda a região poderão enfrentar compromissos difíceis entre controlar as pressões inflacionárias e apoiar o crescimento econômico.