Lucro do Goldman Sachs sobe 19% no 1º tri com M&A em alta e trading na volatilidade

Lucro do Goldman Sachs sobe 19% no 1º tri com M&A em alta e trading na volatilidade
Vatsala Gaur
13 de abr. de 2026, 09:37 AM

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Invezz
Goldman Sachs (GS)

Comprar GS. O 1T mostra alavancagem operacional: lucro +19% e intermediação recorde em trading de ações (+27%) juntamente com uma forte recuperação nos honorários de banco de investimento (+48%). A reação do mercado (-4%) parece refletir posicionamento/expectativas defasadas em relação aos fundamentos, com a volatilidade e o pipeline de M&A (Goldman liderando taxas proxy) sustentando a capacidade de geração de lucro no curto prazo.

Key Risk: Um novo choque de aversão ao risco que colapse os volumes de negociação em ações e congele mandatos de M&A/assessoria, forçando as receitas de taxas e de trading a reverterem à média.

JPMorgan (JPM) vs pares

Comprar JPM e vender pares mais fracos de banco de investimento/trading (por exemplo, Morgan Stanley, MS). A notícia destaca uma mudança de mix: a força do trading em ações e a recuperação de M&A beneficiam bancos universais com escala e fluxo de clientes. A franquia diversificada do JPM deve capturar mais da participação em hedge impulsionado pela volatilidade e em assessoria de negócios, à medida que os clientes reequilibram carteiras e se protegem.

Key Risk: Piora generalizada em renda fixa/câmbio/commodities (como o -10% citado) que arraste a receita de mercados do grupo como um todo, reduzindo a vantagem relativa.

  • Lucro do Goldman Sachs sobe 19% para $5.4 billion com trading de ações e atividade de M&A.
  • Honorários de banco de investimento aumentam 48% para $2.84 billion.
  • Foi o segundo melhor trimestre da história do banco em termos de lucro e receita.

O Goldman Sachs registrou um aumento de 19% no lucro do primeiro trimestre, à medida que a retomada da atividade de fusões e aquisições e o forte trading em ações impulsionaram uma performance quase recorde de sua divisão principal de banco e mercados.

O banco de Wall Street afirmou que o lucro atribuível aos acionistas ordinários subiu para 5,4 mil milhões USD (aprox. R$ 28,4 mil milhões), ou $17.55 por ação, comparado com 4,6 mil milhões USD (aprox. R$ 24,1 mil milhões), ou $14.12 por ação, um ano antes.

Foi o segundo melhor trimestre da história do banco em termos de lucro e receita, ficando atrás apenas do primeiro trimestre de 2021.

A receita subiu 14% para 17,2 mil milhões USD (aprox. R$ 90,5 mil milhões), ante 15,1 mil milhões USD (aprox. R$ 79,1 mil milhões) no mesmo período do ano anterior.

Os resultados foram sustentados por uma forte atividade de M&A e por maior atividade de trading, enquanto clientes navegaram por mercados globais voláteis, marcados pela guerra em curso no Irã e pela alta dos preços de energia.

No entanto, a ação caiu 4% após o anúncio dos resultados.

Volatilidade impulsiona mesas de negociação

Os mercados globais têm sido tumultuados por tensões geopolíticas, com a alta no preço do petróleo bruto alimentando preocupações com a inflação e elevando o espectro de uma desaceleração econômica mais ampla.

Esse ambiente levou investidores a reavaliar carteiras e a proteger-se contra riscos, impulsionando a atividade nas mesas de negociação.

A receita do Goldman com intermediação e financiamento em negociação de ações subiu 27% para um recorde 5,3 mil milhões USD (aprox. R$ 28 mil milhões).

Por outro lado, a receita de renda fixa, câmbio e commodities caiu 10% para 4 mil milhões USD (aprox. R$ 21,1 mil milhões).

O salto no trading de ações reflete maior engajamento de clientes, à medida que investidores reposicionam carteiras em meio a uma incerteza elevada.

Essa volatilidade costuma beneficiar grandes bancos, permitindo-lhes gerar taxas ao facilitar transações envolvendo ações, títulos e derivativos.

“O panorama geopolítico permanece muito complexo — portanto, a gestão disciplinada de risco deve continuar no cerne de nossa atuação”, disse o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, em comunicado.

Atividade de fusões e aquisições se recupera fortemente

A retomada global de fusões e aquisições também contribuiu de forma significativa para o desempenho do Goldman.

Os honorários de banco de investimento subiram para 2,8 mil milhões USD (aprox. R$ 14,9 mil milhões) no primeiro trimestre, um aumento de 48% ante o ano anterior.

Os volumes globais de M&A alcançaram 1,4 biliões USD (aprox. R$ 7,2 biliões) durante o trimestre, segundo dados da Dealogic, destacando uma retomada da atividade corporativa apesar dos ventos contrários geopolíticos.

Analistas da Jefferies disseram que as taxas proxy globais de M&A subiram 19% ano a ano para 11,3 mil milhões USD (aprox. R$ 59,3 mil milhões), com o Goldman liderando em participação de mercado.

O banco assessorou várias transações de alto perfil, incluindo a planejada fusão da divisão de alimentos da Unilever com a McCormick para criar uma empresa de 65 mil milhões USD (aprox. R$ 341,4 mil milhões), e a proposta união da Equitable com a Corebridge para formar uma seguradora de 22 mil milhões USD (aprox. R$ 115,5 mil milhões).

O pipeline de transações foi apoiado por uma combinação de uma economia em crescimento, investimentos significativos em inteligência artificial e expectativas de uma postura regulatória mais branda sob a administração do presidente Donald Trump.

Perspectiva atenuada por riscos geopolíticos

Olhando à frente, executivos de Wall Street esperam um ano forte para fusões e aquisições, com firmas de private equity buscando sair de investimentos e várias grandes empresas de tecnologia se preparando para abrir capital, incluindo SpaceX e Anthropic.

No entanto, as incertezas permanecem.

Os investidores tornaram-se cautelosos quanto à exposição dos bancos ao crédito privado e a riscos macroeconômicos mais amplos, contribuindo para a pressão sobre as ações bancárias nos últimos meses.

Há também preocupações de que a escalada de tensões no Oriente Médio possa elevar ainda mais a inflação e desacelerar a atividade de fusões e aquisições caso as condições econômicas se deteriorem.

Apesar desses riscos, o atual ambiente de volatilidade elevada e atividade corporativa sustentada continua a oferecer um cenário favorável para bancos de investimento, particularmente aqueles com franquias sólidas de trading e assessoria.