Brent cai abaixo de US$90 com esperanças de acordo de paz; mercado segue precário
AI Sentiment: 35/100 Bearish
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Comprar futuros ICE Brent (ou posição longa em Brent via CFD/ETN) ante uma desescalada: negociações de paz + cessar‑fogo de 10 dias entre Israel e Líbano + sinalização do Irã de que Hormuz permanecerá aberto devem manter o prêmio de risco comprimido e favorecer a reversão do Brent para abaixo de US$90. Catalisador: confirmação do tráfego de petroleiros pelo Hormuz e qualquer avanço no quadro nuclear/paz EUA‑Irã.
Key Risk: O otimismo sobre o cessar‑fogo/Hormuz se desfaz—ataques renovados ou fechamento do Hormuz elevam o prêmio de risco geopolítico e empurram o Brent de volta acima de US$95+.
Vender o spread WTI/Brent (long em Brent, short em WTI): a reabertura do Hormuz é um fator global, mas os sinais de oferta/demanda específicos dos EUA são mais frágeis—oscilações abruptas nas importações de petróleo dos EUA e posicionamento precário de estoques podem manter o WTI relativamente mais fraco mesmo com estabilização do Brent. A operação expressa a mesma tese de desescalada, mirando a diferença nos fundamentos dos EUA.
Key Risk: Os estoques/importações dos EUA normalizam e o WTI se recupera (ou cortes da OPEP apertam o WTI mais que o Brent), fazendo o spread ruir.
- Preço do Brent recua 10% para US$88,89 com otimismo sobre acordo EUA‑Irã.
- Trump: "Muito perto" de acordo com o Irã para impedir aquisição de armas nucleares.
- Déficit de oferta da OPEP de 5 milhões bpd ameaça manter alta incerteza no mercado.
Os preços do petróleo Brent despencaram mais de 10% e caíram abaixo de US$90 por barril na sexta-feira, diante do aumento das expectativas de que os EUA e o Irã firmem um acordo de paz.
O Brent caiu abaixo de US$90 por barril pela primeira vez desde 11 de março, enquanto os EUA e o Irã se preparavam para mais conversações durante o fim de semana, e após Israel e Líbano concordarem com um cessar‑fogo de 10 dias.
O sentimento também melhorou depois que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, disse que o Estreito de Hormuz permaneceria aberto a todas as embarcações comerciais durante o período do cessar‑fogo. Ele acrescentou que o trânsito seguiria uma rota coordenada anunciada anteriormente pela Ports and Maritime Organisation do Irã.
O contrato de primeiro vencimento do Brent estava em US$88,89 por barril, em queda de 10,7%, enquanto o preço do West Texas Intermediate recuava 11,1% para US$84,21 por barril.
Tanto o Brent quanto o WTI caminhavam para perdas semanais acentuadas.
Direcionadores geopolíticos e reação de preços
Segundo o analista do UBS Giovanni Staunovo, os comentários do chefe da diplomacia iraniana sugerem uma possível desescalada, desde que o cessar‑fogo se mantenha. Staunovo acrescentou que o próximo indicador-chave será se haverá um aumento significativo no número de petroleiros atravessando o Estreito.
Além disso, para resolver um obstáculo central nas negociações para encerrar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que Teerã teria proposto abrir mão da aquisição de armas nucleares por mais de 20 anos.
"Vamos ver o que acontece. Mas acho que estamos muito perto de fechar um acordo com o Irã", disse Trump a repórteres do lado de fora da Casa Branca na quinta‑feira.
O preço atual do Brent está US$20 abaixo do encerramento de março. Esse declínio é alimentado pelo otimismo em torno de um possível acordo entre Irã e EUA e pela reabertura do Estreito de Hormuz ao tráfego.
O Estreito de Hormuz responde por 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia, as interrupções nas exportações globais de petróleo totalizam agora cerca de 13 milhões de barris por dia.
Fundamentos de mercado e risco de oferta persistente
“No entanto, a incerteza continua elevada: não podemos descartar a possibilidade de que as tensões voltem a aumentar significativamente, fazendo com que os preços do petróleo subam novamente”, disse Barbara Lambrecht, analista de commodities do Commerzbank AG.
Os movimentos de preço nos próximos dias deverão continuar a depender fortemente dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
O relatório semanal de estoques dos EUA ofereceu evidências concretas sobre o estado fundamental do mercado de petróleo. Até o momento, as tendências de estoques nos EUA geralmente não causaram preocupação.
Uma salvaguarda é, sem dúvida, a liberação de reservas. Apesar disso, as importações de petróleo bruto dos EUA caíram acentuadamente na semana passada.
“Embora flutuações acentuadas nas cifras de importação não sejam incomuns, se as importações de petróleo bruto voltaram a ser muito baixas na semana passada, isso provavelmente aumentará a atenção dos participantes do mercado para a questão da escassez de oferta e, assim, sustentará os preços”, acrescentou Lambrecht.
A IEA também observou que em março houve uma redução substancial nos estoques — especificamente, 205 milhões de barris, ou 6,6 milhões de barris por dia — em países fora da região do Golfo.
Essa queda estima‑se ser aproximadamente equivalente ao défice de oferta registrado no mês anterior, segundo o Commerzbank.
A produção atual da OPEP deve ficar aquém da demanda estimada pela IEA para o petróleo da OPEP em cerca de 5 milhões de barris por dia, sinalizando um déficit de oferta iminente para o trimestre em curso.
“A situação no mercado de petróleo, portanto, permanece extremamente precária enquanto o Estreito de Hormuz permanecer fechado”, disseram os analistas do Commerzbank.
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