Ações da Tesla caem mais 5% na quinta-feira: veja o porquê

Ações da Tesla caem mais 5% na quinta-feira: veja o porquê
Utkarsh Roshan
06 de mar. de 2025, 11:53 AM
  • A Baird adicionou a Tesla como uma nova escolha pessimista, citando dificuldades de curto prazo.
  • A empresa reduziu sua meta de preço de US$ 440 para US$ 370.
  • A Tesla está enfrentando crescente pressão de vendas em várias regiões.

A Baird adicionou a Tesla como uma nova escolha pessimista, citando dificuldades de curto prazo relacionadas a desafios de produção e enfraquecimento da demanda.

As ações da Tesla caíram mais de 5% na abertura dos mercados na quinta-feira. As ações da TSLA despencaram cerca de 28% nos últimos 30 dias.

A empresa destacou os riscos para as estimativas de entregas da Tesla no primeiro trimestre, apontando o tempo de inatividade na produção associado à atualização do Modelo Y como um fator chave.

“Dados de vendas intra-trimestrais das principais regiões da TSLA nos levam a acreditar que há risco para a estimativa de consenso de entregas do primeiro trimestre de 437,5 mil unidades”, afirmou a Baird, revisando sua própria estimativa para 369,4 mil unidades.

Analistas observaram que a Tesla normalmente entrega cerca de 300.000 Model Ys por trimestre, mas a pausa na produção aumenta o risco de queda.

O CEO Elon Musk já havia mencionado esse problema na teleconferência de resultados do quarto trimestre da Tesla.

Para aumentar as preocupações, os dados de vendas dos principais mercados da Tesla — Europa, EUA e China — mostraram quedas ano a ano.

Além dos desafios de produção e demanda, Baird também apontou para o "risco de homem-chave" relacionado ao envolvimento político e com criptomoedas de Musk.

“Acreditamos que o envolvimento de Musk com a DOGE e a administração Trump em geral pode afetar alguns compradores nos EUA e na Europa, o que complica a situação do ponto de vista da demanda”, escreveram os analistas.

Apesar da cautela no curto prazo, a Baird permanece otimista quanto ao potencial de longo prazo da Tesla, citando iniciativas como o robô Optimus, a expansão do serviço de robotáxi e o lançamento de veículos mais acessíveis.

A empresa reduziu sua meta de preço de US$ 440 para US$ 370, mantendo uma avaliação premium devido ao potencial de crescimento da Tesla.

No início da semana, o Morgan Stanley reintegrou a Tesla como sua "Melhor Escolha" no setor automotivo dos EUA, estabelecendo uma meta de preço de US$ 430.

Queda nas vendas da Tesla em mercados importantes

A Tesla enfrenta crescente pressão de vendas em várias regiões, com as vendas de seus veículos elétricos fabricados na China caindo 49,2% ano a ano em fevereiro, para 30.688 unidades — o menor número desde agosto de 2022, de acordo com dados da CPCA.

As vendas da empresa em janeiro e fevereiro totalizaram 93.926 veículos, representando uma queda de 28,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O desempenho da Tesla na China foi afetado por uma guerra de preços cada vez mais intensa com concorrentes domésticos, particularmente a BYD, que registrou um aumento de 90,4% nas vendas de veículos de passageiros no mês passado.

Na Europa, as vendas da Tesla caíram acentuadamente em janeiro, com os registros diminuindo 45%, para 9.945 unidades, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).

A Alemanha registrou uma das quedas mais acentuadas, com os registros da Tesla caindo para 1.277 veículos, o menor número desde julho de 2021.

A França registrou uma queda de 63%, enquanto a Tesla perdeu terreno para a BYD no Reino Unido pela primeira vez.

Apesar das dificuldades da Tesla, o mercado europeu de veículos elétricos mostrou resiliência, com as vendas de carros elétricos a bateria aumentando 34% em janeiro, para 124.341 unidades, garantindo uma participação de mercado de 15%.

Um fator potencial que contribui para a queda nas vendas da Tesla na Europa é a crescente resistência dos consumidores ao ativismo político de Musk.

Seu recente apoio ao partido de extrema-direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) antes das eleições pode ter contribuído para a queda de 60% nas vendas da Tesla na Alemanha, o maior mercado automobilístico da Europa, em comparação com o ano anterior.