Previsão USD/BRL: por que o real brasileiro está em forte alta

Previsão USD/BRL: por que o real brasileiro está em forte alta
Crispus Nyaga
23 de abr. de 2026, 06:51 AM

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Invezz
Cesta de carry em BRL — posição longa

Compre exposição ao BRL por meio de um ETF de títulos denominado em BRL (por exemplo, iShares/outros produtos locais de renda fixa em BRL) ou instrumentos do mercado monetário em BRL. A tese é que o alto rendimento do real, somado à melhora dos fluxos externos (exportações em alta, ventos favoráveis às commodities), manterá os fluxos de capitais constantes mesmo se a volatilidade do dólar subir. Trata‑se do mesmo motor por trás da queda do USD/BRL, mas capturado como rendimento + apreciação cambial.

Key Risk: Um choque repentino de aversão a risco (estresse de crédito global) provoca saídas amplas de mercados emergentes (EM), sobrecarregando o suporte oferecido pelo rendimento do BRL.

Posição vendida em USD/BRL

Venda USD/BRL (ou compra de BRL via contrato a termo FX USD/BRL/CFD). O real já está em uma forte tendência de baixa (abaixo do suporte-chave ~5, abaixo das médias móveis) e o carry continua atraente: cerca de 14,75% no Brasil vs. cerca de 3,75% nos EUA mantém a demanda por BRL. Some os ventos macro favoráveis: dólar mais fraco e exportações brasileiras mais fortes (avanço de 10% em março) por conta do redesenho do comércio entre EUA e China e do aumento da produção agrícola/petrolífera.

Key Risk: O Banco Central do Brasil corta as taxas mais rápido do que o esperado, eliminando a vantagem do carry e revertendo a valorização do BRL.

  • O real brasileiro atingiu seu nível mais alto desde 2024.
  • A alta se deve em parte ao recuo contínuo do dólar dos EUA.
  • Também avançou devido à oportunidade de carry.

O real brasileiro iniciou uma forte tendência de alta que o levou ao nível mais elevado desde março de 2024. O par USD/BRL caiu mais de 21% desde o seu pico em dezembro de 2024. Então, o que vem a seguir para a moeda brasileira?

Por que o real brasileiro disparou

Há alguns motivos para a queda do par USD/BRL nos últimos anos. Primeiro, esse recuo reflete a desvalorização geral do dólar durante a administração Trump. O índice do dólar caiu da máxima do ano passado de $110 para $98 hoje. 

O dólar caiu em razão das políticas de Donald Trump, incluindo suas tarifas e a hostilidade em relação ao Federal Reserve, que se recusou a cortar as taxas de juros como ele esperava. Como resultado, os investidores migraram em grande parte para outras moedas.

Em segundo lugar, o desempenho espelha o de outras moedas populares de mercados emergentes que dispararam no mesmo período. Por exemplo, o rand sul-africano subiu, com o USD/ZAR caindo de 19 no ano passado para 16,5 hoje. Outras moedas de EM, como o dólar de Singapura e a rupia indonésia, também avançaram.

Em terceiro lugar, o Brasil aproveitou as tensões em curso entre os EUA e a China. Posicionou-se como uma alternativa importante aos EUA na venda de produtos agrícolas para a China. É também um grande produtor de petróleo que pode liberar mais barris à medida que a guerra continuar.

Isso foi favorecido pelas condições climáticas favoráveis no país, que levaram a maior produtividade na produção de milho, café e soja. Como resultado, dados recentes mostraram que suas exportações subiram 10%, para US$31,6 bilhões em março deste ano.

O mais importante é que o real se tornou uma boa oportunidade de carry. O Banco Central do Brasil manteve taxas de juros altas de 14,75%, superiores às 3,75% dos EUA. Isso significa que tornou-se lucrativo tomar emprestado em dólar e investir em reais.

Olhando adiante, os principais catalisadores para o par USD/BRL serão as próximas eleições que colocam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra Flávio Bolsonaro. Faltando meses para o primeiro turno em 4 de outubro, as pesquisas indicam que a disputa está amplamente empatada.

Análise técnica USD/BRL

Gráfico USDBRL | Fonte: TradingView

O gráfico de três dias mostra que a taxa de câmbio USD/BRL caiu acentuadamente nos últimos dois anos. Despencou de uma máxima de 6,3115 em dezembro de 2024 para 4,9645. 

O par caiu recentemente abaixo do importante nível de suporte em 5, confirmando que os vendedores estão no controle. Moveu‑se para o nível de retração de Fibonacci de 78,6%.

O par permanece abaixo de todas as médias móveis, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) caiu consideravelmente. Portanto, o caminho de menor resistência é a continuação da queda, potencialmente até o suporte-chave em 4,50.