Previsão do petróleo: queda, mas tensões com o Irã mantêm alvo de US$100

Previsão do petróleo: queda, mas tensões com o Irã mantêm alvo de US$100
Devesh Kumar
24 de ago. de 2026, 02:20 AM

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Brent (buy)

Comprar exposição ao Brent (por exemplo, exposição longa em contratos futuros de Brent ou um ETF de Brent). O artigo indica que o mercado continua com aperto de oferta: o tráfego no Estreito de Hormuz está ~90% abaixo do normal e apenas um punhado de navios cruzou no domingo. Mesmo após realização de lucros, o Brent se mantém apoiado acima de US$90 porque o aperto em combustíveis refinados (diesel/querosene de aviação) é mais difícil de resolver do que o redirecionamento de crude. As sanções ao Irã são um catalisador, mas a restrição física do transporte é o fator central.

Key Risk: Uma reabertura súbita e credível do tráfego no Estreito de Hormuz (ou um acordo que elimine o prêmio de oferta) que desmonte a narrativa de aperto.

Gasoil de Singapura (buy)

Comprar exposição ao gasoil de Singapura (por exemplo, contratos futuros de gasoil ou um produto atrelado a gasoil). Efeito secundário: o artigo destaca que os combustíveis refinados estão se apertando mesmo quando o crude recua — as importações asiáticas de destilados caíram ~21% e as margens do gasoil de Singapura dispararam. Isso significa que o movimento no “preço do petróleo” pode subestimar o aperto no fornecimento de diesel/querosene, de modo que o gasoil deve performar melhor que o crude se as sanções continuarem a reduzir as grades disponíveis.

Key Risk: Capacidade de refino normaliza rapidamente ou oferta alternativa de destilados entra em massa, esmagando as margens do gasoil apesar do petróleo permanecer firme.

  • Brent perto de US$93 enquanto traders aguardam sanções mais duras dos EUA ao Irã hoje.
  • WTI cai abaixo de US$86 após dois ganhos semanais, com investidores realizando lucros.
  • Tráfego em Hormuz permanece perto de mínimas históricas, mantendo elevados os riscos de oferta de crude.

Os preços do petróleo caíram na segunda-feira, à medida que investidores realizaram lucros após duas semanas fortes, mas o recuo pouco fez para eliminar o prêmio de oferta criado pelo confronto entre os EUA e o Irã e a restrição severa ao tráfego através do Estreito de Hormuz.

Os contratos futuros do Brent recuaram cerca de 1,3% para US$93,16 o barril em negociações na Ásia, enquanto o WTI caiu 1,6% para US$85,70.

Ambos os referenciais haviam subido mais de 5% na semana passada, com o Brent fechando na sexta a US$94,39 e o WTI a US$87,06.

Os traders agora aguardam que Washington revele hoje um pacote de sanções mais duro contra o Irã e seus parceiros comerciais.

Realização de lucros mascara um mercado ainda apertado

A queda de segunda-feira parece mais um ajuste de posições do que uma reversão da narrativa do petróleo.

Os preços subiram por duas semanas consecutivas à medida que as esperanças de um acordo EUA-Irã diminuíram e os fluxos de oferta no Oriente Médio permaneceram restritos.

A analista do Commerzbank Research, Barbara Lambrecht, em comentários publicados pelo The Wall Street Journal, afirmou que as medidas esperadas dos EUA provavelmente se concentrarão em países que ainda compram petróleo iraniano, com a China como alvo central.

Isso aumenta o risco de que sanções possam apertar os canais restantes para os barris iranianos.

As ofertas de petróleo iraniano para refinadores chineses já caíram acentuadamente.

As remessas estavam em cerca de 534.000 barris por dia em agosto, em comparação com uma média de 1,4 milhão de barris por dia em 2025, enquanto algumas cargas que antes negociavam com desconto agora são oferecidas com prêmio.

Hormuz continua sendo risco maior que as sanções

O problema mais imediato é o transporte físico. Dados da Kpler mostraram que apenas quatro navios de commodities atravessaram o Estreito de Hormuz no domingo e 13 no sábado.

Autoridades marítimas do Reino Unido estimam que o tráfego detectado por AIS está cerca de 90% abaixo dos níveis pré-conflito.

Isso importa porque Hormuz respondia por quase um quinto dos fluxos globais de petróleo antes do conflito.

O Irã também advertiu que nova pressão econômica dos EUA poderia levar a uma tentativa de interromper as exportações de petróleo através do Golfo Pérsico, elevando o risco além da própria oferta iraniana.

Os estrategistas da ING, Ewa Manthey e Warren Patterson, disseram em uma nota Think commodities da ING na semana passada que o Brent permanece apoiado pela falta de progresso entre Washington e Teerã e por problemas de segurança persistentes ao redor do estreito.

A EIA já elevou sua previsão para o Brent em 2026 para US$87 o barril, citando restrições prolongadas em Hormuz.

A agência estima que os fluxos de petróleo e líquidos de petróleo através do estreito tiveram média de apenas 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões no final de 2025.

Combustíveis refinados mantêm mercado mais apertado do que o crude sugere

A pressão é cada vez mais visível também nos mercados de combustíveis.

As importações asiáticas de destilados leves e médios caíram cerca de 21% em relação às médias pré-conflito, enquanto as margens de gasoil de Singapura dispararam à medida que a disponibilidade de diesel e querosene de aviação se estreita.

Isso ajuda a explicar por que o Brent permanece acima de US$90 mesmo quando traders realizam lucros periodicamente.

O crude pode ser redirecionado, estoques podem ser utilizados e fornecedores alternativos podem cobrir parte da lacuna, mas interrupções em refinarias e a falta das grades de crude adequadas são mais difíceis de resolver rapidamente.

Por enquanto, o balanço continua desconfortável. O recuo de segunda-feira mostra que os traders estão relutantes em perseguir os preços antes do anúncio das sanções.

Mas com o tráfego em Hormuz ainda deprimido e as exportações iranianas já encolhendo, o mercado amplo de petróleo permanece vulnerável a um novo movimento de alta impulsionado pela oferta.